Quinta-feira, 20h.
Estou no supermercado. Sozinho.
Como estou sem fome, nem sei o que comprar.
Começo a andar pelos corredores em busca de algo que possa satisfazer alguma necessidade que eu não tenho.
Andar sem ter nada para fazer é ótimo para pensar na vida.
De repente, meu deu uma saudade. Saudade da infância.
Na infância parecia que todos os seres humanos ao meu redor eram gente. Eu olhava para eles, cumprimentava, prestava atenção.
Ali, no supermercado, tantos seres humanos. Mas, parece que não tinha nenhuma pessoa.
Não podia dar "oi". Não podia olhar. Dar um sorriso. Cumprimentar.
"Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto, à meia noite, à meia luz, sonhando..."
Comecei a ouvir essa música, que hoje soa meio brega, mas me deu uma nostalgia. Descobri porque estava pensando na infância. Essa música estava tocando na rádio do supermercado.
Sem querer, comecei a cantar a música em voz alta.
Comecei a ouvir outra voz, um tiozinho na minha frente começou a cantar e a senhora do meu lado também.
De repente, nós 3 nos percebemos, nos olhamos, conferimos que éramos gente, sorrimos e começamos a cantar juntos: "daria tudo por meu mundo e nada mais".
Momento ímpar, dentro de um dia qualquer, que me fez lembrar que os seres humanos são gente, e eles estão ao meu lado.
Uma discussão, que nem sei se existe mais, quando falamos de Gestão de Talentos é: investimos nas fraquezas da pessoa, para ela melhorar e ficar boa em tudo ou investimos no que a pessoa já é boa, para ficar melhor ainda?
Nos bate-papos com colegas de RH e com alguns gestores, percebi que, conceitualmente, a 2ª opção (foco no que a pessoa já é boa) já aparece como sendo a melhor opção, quase não há discussão.
Mas, atenção, eu disse CONCEITUALMENTE.
Na prática, excluindo algumas raras exceções, adicionando a justificativa de todo o modelo de educação que tivemos desde criança, tanto dos pais, dos professores, dos amiguinhos, dos inimiguinhos, quanto daqueles que nem sabemos quem são e dão opinião, o foco ainda é no que não somos bons e deveríamos melhorar.
Por onde passamos, em toda a nossa vida, sempre ficou claro quais eram nossos pontos negativos. Todos falaram as mesmas coisas.
Mas, olha que engraçado, parece que o discurso não muda. Parece que (também com raras exceções) a gente continua ruim nessas mesmas coisas. Por que será?
Simples, porque a gente é ruim e pronto.
Dá até pra treinar bastante, buscar ajuda, mas, o máximo que a gente consegue é ser mediano naquilo.
Agora, o que acontece com o que a gente é ótimo. Parece que mesmo sem investir a gente continua bom naquilo. Quem sabe se a gente colocasse foco nisso, a gente sairia do ótimo para o excelente, do excelente para o perfeito.
Será que funciona?
Bom, no fim de fevereiro, fui ao 2º eventos do TEDx VILA MADA e assisti o exemplo de como colocar esse tema em prática. Como buscar o melhor de cada um, mesmo estando bem escondido, e investir naquilo para se tornar excelente.
De forma simples, mas verdadeira.
Invista 18 minutos do seu tempo e conheça e história e o projeto da Raquel Barros.
Anthony Atala dirige um laboratório que cultiva órgãos humanos. Resultado de décadas de estudos e avanços tecnológicos.
Imagine as possibilidades que possuímos se o ser humano consegue "fabricar" um órgão!
Assista essa palestra impressionante, feita pelo prório Atala no TEDMED.
Acabei de ler um artigo interessantíssmo na revista Harvard Business Review, onde dois professores de economia comportamental fizeram um estudo sobre o impacto das emoções de curto prazo nas tomadas de decisão futuras.
Eles descobriram, com base na Teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger, que quando estamos diante de uma decisão a ser tomada, nosso cérebro busca referências de experiências anteriores para nos auxiliar a tomar a decisão atual, porém, nesta busca, o cérebro não avalia se as decisões foram tomadas em momentos de pressão, depressão, raiva, calma, alegria, etc.
Ou seja, o que eles conseguiram comprovar é que, quando estamos passando por um momento de extrema alegria e somos mais "leves" nas tomadas de decisão, ou quando passamos por momentos de ira e raiva e somos duros com os outros, isso irá impactar diretamente as decisões futuras.
O impacto disso é absurdo, já que corremos o risco de tomar uma decisão equivocada, mesmo quando estamos calmos e "racionais", pois temos como referência as decisões que tomamos no passado quando estávamos irados, querendo uma revanche, sendo muito pouco racionais.
Essa conclusão é muito interessante para nós, pois nos proporciona o conhecimento necessário para sermos ainda mais racionais ou contar até 10 (ou 10.000, como sugerem os autores dos artigo) e nos acalmarmos antes de decidir tomar qualquer atitude.
Principalmente pessoas que tomam decisões sobre pessoas, o impacto disso é gigantesco. Deixa claro que essa balela de "eu separo muito bem vida pessoal de profissional" ou "eu não deixo meus problemas pessoas afetarem meu trabalho" é realmente uma balela.
(nossa, a vida é muito difícil, mas é sensacional!)
Clique aqui e leia o artigo na íntegra (em inglês) e saiba como eles testaram sua teoria.
No dia 10 de Dezembro de 2009, tive a oportunidade de participar do primeiro evento do TEDx Vila Madá.
Para mim, a mensagem principal do encontro foi: inovação vêm do fazer, é uma ação, é transformar ideias em soluções tangíveis e empreendedoras.
Assistimos os exemplos do projeto de urbanização de Curitiba e a implementação do Poupa Tempo no Rio de Janeiro.
Fazer com agilidade, testar, quebrar a cara, levantar, começar do simples e implementar, ser rápido.
Isso me fez lembrar de um vídeo do Waldez Ludwing sobre a diferença entre Criatividade e Inovação. Perfeitamente associado ao tema do TEDx.
Uma das palestras favoritas do TEDx, foi a do Edmour Saiani. Associando o mesmo conceito às relações interpessoais dentro de uma companhia e o impacto disso nos resultados. Inclusive, ela nos serviu de inspiração para elaborar o plano de desenvolvimento de pessoas para 2010.
O próximo evento será em fevereiro e todos podem participar, presencialmente ou pela internet. É só participar da rede do TEDx Vila Madá.
Esses dias ouvi de um teólogo e especialista em arqueologia um pensamento, resultado de estudo sobre os escritos dos judeus na época de Cristo, que achei muito interessante e relevante:
O humor e a sabedoria andam juntos. Ambos falam do óbvio, porém inesperado.
Segundo esse estudioso, os sábios judeus da época se utilizavam do humor para transmitir o conhecimento. Realmente, faz todo o sentido. A sabedoria, resultado da observação de algo óbvio, mas, que só as pessoas sábias conseguem enxergar e refletir sobre o assunto. Quando o sábio conta o resultado de sua observação, todos ficamos abismados "noooosssaa, é verdade". Nada mais do que o óbvio, porém, inesperado. Da mesma forma o humor. Nem preciso explicar o quanto o verdadeiro humor é algo inesperado sobre o óbvio.
Interessante que, se pesquisarmos um pouco sobre pessoas consideradas sábias, perceberemos que o humor e a simplicidade de suas palavras e citações as acompanhava, mas, nenhuma palavra era desprovida de sabedoria.
Isso me fez lembrar de um vídeo que assisti, um trecho do Programa do Jô com frases inteligentíssimas e bem humoradas de Winston Churchill. Se delicie de humor e sabedoria!
Ansiedade é uma questão psicológica ou sociológica?
Não sei, essa pergunta veio a minha mente hoje de manhã, ao desfrutar do meu passeio diário em 3 meios de transporte coletivos distintos (metrô, van e trem).
Acompanhei uma pessoa que me parecia muito ansiosa, demonstrando isso através de um comportamento "mal educado" e fiquei intrigado.
Ao entrar no metrô lotado, na estação Paraíso, o indivíduo simplesmente decidiu que o melhor lugar para ele ficar era o lugar onde eu estava, e, como dois corpos não ocupam o mesmo espaço físico, ele me empurrou e eu parei em um espaço físico milimetricamente calculado para caber apenas meu corpo.
Invocado eu decidi observá-lo durante todo o trajeto.
Na próxima estação, Brigadeiro, surgiu um assento vazio à minha frente e, antes do meu cérebro enviar os sinais de movimento para eu me assentar, o indivíduo já o havia ocupado. Como se não bastasse, ele esticou as pernas, obrigando-me a mudar de lugar novamente.
Mas, uma coisa intrigante aconteceu: a medida que o metrô ia esvaziando, seu comportamento ia melhorando. Na Estação Trianon, onde o metrô costuma esvaziar bastante, ele cedeu seu lugar à uma senhora.
Ao chegarmos no fim do trajeto, no metrô Vila Madalena, ele até demonstrou grande educação e foi o último a deixar o vagão.
Mas, diante de uma estação lotada, seu comportamento ansioso retoma e ele sai em disparada para pegar o bilhete da ponte orca (van que liga o metrô ao trem), e, quem aparece na minha frente, segundos antes de eu me considerar na fila da van? O próprio.
Durante o trajeto da Van, cheguei a pensar que ele era um ser humano evolutivamente superior, pois desenvolvera comportamentos distintos para sobreviver ao ambiente lotado e ao vazio.
Mas, o pensamento foi abruptamente interrompido quando ele disse: "Não vai descer não?" antes de a Van parar para a descida.
Pois é, aí fiquei em dúvida, ele é ansioso pois é um comportamento individual ou resultado de um comportamento coletivo?